domingo, 31 de agosto de 2014

Por que a saudade dói...

Por que a saudade dói?

Um dia vieste. Entraste na minha vida. Fiz-me forte, dura. Desejei não te desejar. Lutei para não me apaixonar. Não sei o que pretendias. Mas eu sabia que não podia, que não ia aguentar se não desse certo. Então, decidi viver um dia de cada vez, sem expectativas.
Nem sei como sobrevivi. A cada dia a espera de uma ligação, da chamada no Skype, de te ver.
A evolução foi devagar, foi uma luta. Não queria me entregar. Precisava me preservar. Até que senti o controlo escapulir das minhas mãos. E me entreguei a este sentimento. Pus o meu coração nas suas mãos. E você me fez sentir nas nuvens, me fez voltar a sonhar, a acreditar.
E quando nos separamos foi a pior dor que já senti...
Hoje, viver sem você é muito difícil. Saber que este oceano nos separa é doloroso. Só sinto falta dos teus abraços, do teu toque sensível, da tua preocupação. 
E a saudade dói, queima meu peito, fere fundo. 
Só de ver teus olhos, teu sorriso, me sinto unida outra vez. E depois quando a realidade vem, volta a dor. A dor da saudade.
O que fazer para a saudade aliviar?


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Definições...

O que se é para alguém?

Outro dia, assistindo o Sex and the City, vi o dilema de Carry em não saber o que era e o que estava vivendo com o sr. Big. Vi o sr. Big sempre se furtar de dar as respostas que ela esperava, confundindo-a, distraindo-a, como se as perguntas pudessem ficar sem respostas.
Agora lendo um romance, vejo a personagem sofrendo pelo mesmo dilema, com medo de dar o próximo passo, tentando ouvir o que representa, embora vivendo situações de completa partilha. Será o suficiente?
Há pouco tempo vivi a cena em que eu mesma era protagonista do mesmo dilema. O que somos para a pessoa com quem andamos a sair? Nem falo a palavra relação. A palavra relação parece implicar imensas coisas, como compromisso e isto parece um palavrão, um tabu que não deve ser tocado. Mas como utilizar outra palavra quando saímos com outra pessoa, empregamos nosso tempo e interesses em conhecê-la, entendê-la, saber tratá-la? 
Entre pessoas que estão interagindo existe algum nível de relacionamento e depois de um ano de relacionamento, o que se é para a pessoa a outra pessoa?
Pelo que eu suponho do caso da Carry, da heroína do romance que estou lendo e do meu próprio romance, esta falta de definições denota sempre de um lado alguém inseguro quanto a sua posição no romance e do outro lado, alguém que viveu um relacionamento traumático, gerando mágoas, ressentimentos, desconfianças e inseguranças em relação aos relacionamentos atuais.
Me vejo revisitando Bauman e sua teoria do amor líquido. É mais fácil fugir, fingir, substituir o relacionamento presente para não haver sofrimento? Parece que sim... Mas o que buscamos? O que procuramos dentro de nós? O que buscamos no outro? Que tipo de relacionamento queremos viver? O que queremos ser para a outra pessoa?
Parece a questão (ou questões) do século e no entanto, deve passar despercebida diante de inúmeras questões que parecem ter mais urgência de serem respondidas, como a solução para a crise energética, a extinção de animais, que tem seu devido valor, mas não desmerecem as questões que dizem respeito ao relacionamento humano e suas trocas sociais.
Eu confesso que não consigo viver sem definições. Claro que nem tudo deve ter um nome, uma classificação. Não vivo de rigidez e regras, mas certas definições nos ajudam a pensar nosso lugar no mundo e principalmente na vida de outra pessoa.
Podemos nos acalmar e dizer que é só uma questão de tempo. Será mesmo?
Quando alguém te olha e não sabe dizer o que você representa para ela, o que você pode esperar? É claro que aquele brilho nos olhos da pessoa, seu toque, a entrega dispensam palavras.
Por que precisamos ouvir da pessoa que somos especiais, que somos a pessoa que estão procurando? Isso é ser humano, é buscar definir-se e definir as situações em que se está envolvido.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Portugal,

Por que não terra de pescadores?
Já não há caravelas a singrar os mares, 
a não ser a de Sagres.
As terras já foram todas descobertas.
E seus donos a reclamaram para si.
Mas os pescadores, estes ficaram.
Permaneceram na busca de tempos melhores.
Vislumbram as riquezas que o nosso mar lhes pode conceder.
De pé, nos dias de sol, focam o horizonte na tentativa de perceber
os sinais que o mar lhes dá.
Lançam os anzóis e as iscas.
Seguram as canas com as suas mãos marcadas pela força e pelo sol.
Seus músculos fletidos estão preparados para as duras lides.
O que poderá o mar lhes dá hoje?
Ó Mar prazenteiro, a quem vos peço.
Dai-me peixes, dai-me mariscos.
Dai-me aquilo que vim buscar.
Ordena aos deuses que te protegem
Que me concedam a boa sorte.
Ó Mar bravio e senhor!
Concedei aos marinheiros da terra
Aos valentes e nobres pescadores
A riqueza dos teus oceanos
Para que encham as suas mesas
Que preencham os seus bolsos
Pois nos tempos de crises.
O que o Mar dá sempre vem ajudar.
Lança a tua cana, meu filho,
Responde o mar generoso.
Obtém de mim o que precisas e
Para isto, basta que venhas pescar.
E o pescador volta a sua casa satisfeito.
Com a sua saca cheia de peixes.
Todos para seu deleite.
E neste dia, ele dorme a sorrir.

Rodrigues, S.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Bíblia - reflexões desdobradas após a série

Assistimos no sábado  de Aleluia e no domingo de Páscoa a emissão pela SIC a série A Bíblia, estreada nos Estados Unidos, tendo o Diogo Morgado no papel de Jesus. Ter o Diogo Morgado neste papel foi um chamariz tão eficiente quanto a ideia de ver a Paixão de Cristo no feriado pascal. Série vai continuar só dedicada a Jesus
Em Portugal a série, de dez horas, estreou-se no fim-de-semana de Páscoa e fez com que a SIC, o canal que a transmitiu, se tornasse líder de audiências. Dividida entre a tarde de sábado (Antigo Testamento) e a tarde de domingo (Novo Testamento), a série foi vista no total por 1 milhão e 353 mil espectadores.
Para mim, vê-lo naquele papel, e sentir a sua doce e intensa interpretação de Jesus Cristo tocou-me. Senti-me envolvida em doce energia, não em função do Diogo Morgado desempenhar o papel de Jesus, mas por ele realmente incorporar a doce magia, o doce olhar, o doce toque, a sutileza que relembram Jesus. Foi como se tivéssemos sidos visitados pela verdadeira energia cristã em nossa casa. Digo isto, pois todos a minha volta sentiam-se da mesma forma: suavizados, acometidos de uma doce paz que nos fez até falar mais baixinho e suavemente uns com os outros nas horas que se seguiram.
Eu me sinto inspirada por filmes e livros. Este filme serviu para renovar em mim não só a fé que já tenho na vida assim como numa Espiritualidade Maior. Serviu-me para rever-me enquanto pessoa em edificação, construção e aprendizados contínuos. Serviu-me para sentir-me como alguém que não está pronto nem acabado, mas que serve como receptáculo para as doces e profundas mensagens de aprendizagem que a Páscoa e o amor de Jesus evoca.
Não vou fazer apologia de religião nem de credos. Cada um tem a sua visão de mundo, de vida, de fé, de espiritualidade e espiritualização, dentro da sua condição evolutiva. Cada um vê e sente a vida com a bagagem que possui agora. E por isso, cada um vive esse momento da sua forma mais particular, embora possa partilhá-la com os outros.
Eu vivo meu amor pela vida e pela Espiritualidade Maior em meu íntimo e só o partilho com os que a mim são chegados. Pois muito do que eu vivo se processa em silêncio e o que é físico, no fundo, só eu posso dar conta e perceber o resultado do que se vai processando. Aos demais, cabe apenas ver o que se vai refletindo no meu íntimo e que irradia nos meus olhos, no meu sorriso, na alegria, no meu bem-estar e no meu estado mais permanente de ser.
E tenho dito sem contudo considerar que esta é a última palavra sobre o assunto!

domingo, 24 de março de 2013

Argo

                                               foto de uma das cenas do filme Argo
Assisti ao "Argo" (2012) depois da sugestão de um amigo, pois perdi a temporada no cinema no período de sua estreia. Para quem ainda não viu, há um site que disponibiliza o filme aqui. É um filme produzido e protagonizado pelo excelente ator norte-americano Ben Afleck e cuja sinopse pode ser consultada no link destacado.
Eu vejo marcas de desvario no rosto da guerra, mas lamento ainda mais que esta não poupe as verdadeiras vítimas de violências e guerras. Também nota-se o rosto daqueles que estão perdidos no meio das turbas, a protestar a sua própria luta e a manifestar a sua própria dor. Porém, tenho medo de contaminação emocional coletiva, desta que faz com que indivíduos possam se perder no meio de uma multidão e apesar de não concordarem com os atos desta, no momento da contaminação, são apenas pessoas no meio de um grande cardume a seguir rumo a uma direção, que noutro momento individualmente, sem a projeção das grandes emoções, ele poderia até rejeitar.
De todo modo, tive o estômago colado a espinha durante todo o filme, suspendendo a respiração e torcendo para que os reféns (6 americano refugiados na embaixada canadense em 1979 após fugirem da própria embaixada durante um golpe no Irã como efeito para pressionar o retorno do ex-Xá) sejam resgatados. A trama está mesmo bem construída e bem dirigida.
Fico feliz que a ideia tenha surgido de uma forma "inocente" numa simples chamada telefónica com uma criança. Acho que tudo tem uma ligação. Acho que a pureza e a simplicidade de todos os fatos se juntando numa trama estratégica para resgatar os seis americanos foi muito bem pensada. 
Há um elemento comum no filme que se assemelha a praticamente todos os filmes americanos que já vi sobre resgates ou sobre vôos sequestrados. Quando tudo parece se conduzir para um desfecho certo, o governo americano representado por algumas pessoas, geralmente aqueles que encrencam  a engrenagem toda, cancelam os planos. É óbvio que isto também se torna o ponto alto do filme, gerando a adrenalina e te fazendo pensar por alguns minutos se tudo acabará bem. 
A figura do Tony Mendez (Ben Afleck) demonstra que no mundo e em operações complexas e determinantes para a sobrevivência dos envolvidos, existem pessoas com capacidades argutas, altruístas, corajosas e perseverantes. 
Apesar de não fazer apologia para filmes que criam uma imagem dos Estados Unidos como aqueles que sempre ganham, este filme me faz acreditar que quem luta pelo bem ou por algum ideal deve e acaba por ser recompensado. Me faz acreditar, enquanto educadora, que certas atitudes em favor do bem comum valem a pena de serem tomadas, mesmo que certos burocratas se coloquem no caminho.
E num período em que se vive (falo da Europa na sua condição atual, mas também me reporto ao mundo de uma maneira mais generalizada) em crise multi dimensionais e cujas possibilidades de mudanças parecem esgotadas e há muito perdidas, filmes como esse deixam alguma semente de esperança e agradeço por ter algo mais em que me agarrar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O homem perfeito ou o homem perfeito para nós?

O que me motivou a escrever sobre o homem perfeito foi a frase supostamente de autoria de Jô Soares, que circula no Facebook, de que o homem perfeito, se existisse só poderia ser gay. Conclusão a que ele chegou depois de descrever qualidades e ações só praticadas pelo homem perfeito.
Tenho estado longe do Brasil há seis anos e fico imaginando o que se passa para que o Jô tenha tão pouca fé nos homens, sendo ele um. Não digo que a falta de fé nos homens recaia apenas sobre as mulheres e homens brasileiros. Creio que isto é um problema mundial, como a crise, do abastecimento da água, a fome e o desemprego. O próprio Jô, sendo homem, não acredita em homens perfeitos. Tenho pena das mulheres que quiserem privar com ele.
Mas tanto aqui como lá, ouço o suspirar das mulheres em busca de suas caras metades e conheço versões dos limites a que uma mulher pode chegar em busca da sua perfeição de homem.
O problema está nos significados a que todos dão ao homem perfeito. Nas sociedades ocidentais, da criança a idosa, vivemos bombardeadas pelas imagens deste tipo
de homem: com as qualidades de príncipe encantado dos contos infantis, com a presença e o sex appeal do macho alfa, que pode, manda e consegue tudo que quer do mundo dos negócios ou a do homem bonito, rico e poderoso dos romances. Olhando para esse perfil, creio de mais 85% da população masculina estaria fora destes padrões. Por isso, quem pode concorrer com tais homens?
E assim, seguem-se as desilusões e frustrações porque não encontramos o tal homem mesmo que estejamos acompanhadas. Parece que a pessoa ao nosso lado nunca é suficiente para nós, uma vez que estamos a espera de ser arrebatadas da nossa realidade pelo nosso príncipe encantado, pelo poderoso homem de negócios ou pelo homem romântico, carente, bonito e rico dos romances. Passamos a vida para suspirar por estes homens que parecem nunca chegar.
Conseguimos sair para encontros e passar todo o período avaliando a nossa companhia, buscando identificar os sinais do homem perfeito. Como resultado, a frustração nos acompanha à saída do encontro e mais um homem perdeu a oportunidade de ser "descoberto". Não estou com isso, dizendo que devemos nos entregar ao primeiro que aparece, mas que dev
emos dar uma chance ao tempo, que pode tudo, inclusive nos reservar boas e grandes surpresas. Afinal, que homem pode rivalizar com tal competição. Entretanto, vamos pondo de lado a oportunidade de apreciar um sorriso, um toque de mãos, um beijo, um abraço, por não termos dado a oportunidade de conhecer sequer a pessoa.
Homens perfeitos não existem. A ideia de perfeição segue uma lógica narcisita e positivista de ver o mundo, as coisas e as pessoas. Nesta lógica, o ter vem antes do ser. O homem perfeito só poder ser bonito, ter dinheiro, poder, sex appeal, aquele charme que envolve até os homens. Só depois saberemos até onde vai a sua capacidade de amar. Creio que as mulheres que buscam apenas estes homens sofrem de uma necessidade tremenda de se sentirem seguras com o que quer que eles lhes proporcionem. São mulheres que apagaram seu próprio calor e luz interiores. Não acreditam que a felicidade está para além de certos aparatos. São mulheres que deixaram de acreditar, não no príncipe encantado e nas imagens tolas de que já falamos, mas na vida, na felicidade e no amor. E quando elas efetivamente descobrem esta realidade, já têm ao seu lado um ogre no lugar daquele com quem se casou. Nem o dinheiro que ele possuía ameniza o fato dela viver com uma pessoa que no fundo, não a vê mais do que com um bem adquirido. E aí você vê que pagou um preço caro pela sua "felicidade".
Homens perfeitos para nós é que existem. Há muitas mulheres que o podem testar. E elas nos dirão, eles não são perfeitos, mas com o que já fazem, através do companheirismo, da compreensão, da camaradagem, podem estar a caminho da perfeição. Por isso, o homem perfeito para nós nos toca a alma, acaricia o nosso espírito assim que nos avista. Mas este homem só surge na vida das mulheres que ousam acreditar e esperar para reconhecê-los. E mulheres com esta ousadia seguem um caminho interior que cancelou as imagens que lhe puseram na cabeça. Elas acreditam primeiro no que sentem. E se encontram um bobalhão pelo caminho, sabem muito bem que não estão diante do homem perfeito para as mulheres que elas são e nem se trata do homem que elas precisam. Elas conseguem sentir e perceber o ser que está ao seu lado antes de querer que ele seja simplesmente lindo de arrasar, chique de doer, podre de rico e mais poderoso que o Belusconi na Itália. Se ele assim o for e ainda amá-la, que assim seja. Mas se não for, que lhe vale viver num castelo onde geme e chora se não tem com quer sorrir e ser feliz?
A mulher que procura o homem perfeito para ela, acredita na vida, na possibilidade que a vida tem de reconhecer as suas necessidades e de ajudá-la na hora certa. Geralmente, esta será uma mulher que batalha pelas suas ideias, pelos seus compromissos, uma mulher que ama a vida e está em sintonia com a vida. Vitoriosa, ela irradiará a luz necessária para que o homem perfeito para ela a enxergue em meio a escuridão de alguns valores que reinam a nossa volta. A luz dela com a luz dele é a ponte para os dois se encontrarem nesta vida. E se pudesse definir toda esta reflexão... diria que é tudo uma questão de fé.